E é já hoje que começa NOME EIRA#2 : RAFAEL ALVAREZ, um pequeno festival dedicado ao trabalho do coreógrafo, performer, cenógrafo e figurinista Rafael Alvarez, artista associado à EIRA.
E sim, Rafael Alvarez é amigo pessoal do PGFV, ficando já esclarecido, o que não quer dizer que não seja bom, porque se não o fosse, aqui não apareceria.
E pronto, feita a declaração a aqui fica o programa.
Quarta-feira, 25 Maio 2011, 22h MUSEU RAFAEL ALVAREZ - Rafael Alvarez & Convidados ESTÚDIO DA COMPANHIA OLGA RORIZ Rua da Prata, 108 (Baixa)
Quinta-feira, 26 Maio 2011, 21h30 ÚLTIMA CHAMADA - Rafael Alvarez NEGÓCIO Rua de O Século, nº 9, Porta 5 (Bairro Alto)
Sexta-feira, 27 Maio 2011, 21h30 FATIGUES - Rafael Alvarez (Estreia em Lisboa) NEGÓCIO Rua de O Século, nº 9, Porta 5 (Bairro Alto)
Sábado 28 e Domingo 29 Maio 2011, 21h30 HAUTE COUTURE - Rafael Alvarez (Estreia em Lisboa) ESPAÇO EIRA 33 Rua Camilo Castelo Branco, 33, 1º (Marquês de Pombal)
Domingo 29 Maio 2011, 17h BOSQUE (versão para crianças) - Rafael Alvarez NEGÓCIO Rua de O Século, nº 9, Porta 5 (Bairro Alto)
Nota do PGFV: Está prometida uma versão porno/gay/leather de o BOSQUE, mas infelizmente ainda não é desta ;(
As coordenadas para bilhetes, informações e essas coisas:
3 e 4 de Novembro às 21h00 :: Estreia Festival Temps d’ Images :: CCB Pequeno Auditório :: Lisboa
Direcção Artística Francisco Camacho Filme Bruno de Almeida Criação e Interpretação Mariana Tengner Barros, Rafael Alvarez, Tiago Cadete e Francisco Camacho Sonoplastia Bruno de Almeida Figurinos Carlota Lagido Apoio Dramatúrgico João Manuel de Oliveira Desenho de luz e direcção técnica Frank Laubenheimer Técnico de som e video Carlos Ramos Assistência de ensaios Elizabete Francisca, David Marques Produção EIRA
Co-produção EIRA, Festival Citemor, Duplacena/Festival Temps d’ Images Apoios Asas do Sul, Eurocabos
Estava um daqueles dias de primavera Parisienses, chuva, depois sol e depois chuva e depois outra vez sol e era o dia do meu aniversário.
A ópera Orphée et Eurydice de Christoph Willibald Gluck, a minha ópera preferida, estava em cena na Garnier em reposição, numa obra da década de 70, uma das poucas peças que Pina fez sem a recorrer à sua companhia de Wuppertal.
A versão escolhida da ópera de Gluck por Pina foi a alemã (a original e que não tem um final feliz) dividindo os três actos em 4 quadros:
- Deuil - Violence - Paix - Mort
Agora, no youtube, em busca das memória das lágrimas, que me ajudaram no luto que no momento fazia.
Obrigado Pina, por este Orphée et Eurydice e por todas as outras em que me fizeste rir e chorar, como na vida.
A Pina Bausch é a única mulher que me faz chorar na vida.
Ontem no CCB enquanto assisti a Masurca Fogo, tal qual como na maior parte das vezes a que assisti a um peça de Pina Bausch, chorei baba e ranho, que nem uma menina adolescente apaixonada (pronto desculpem o toque de machismo primário, mas é só para figura de estilo).
Chorei quando vi o Café Muller quando a Pina Bausch veio à Gulbenkian, e o Almodôvar ainda não tinha usado esta peça no Habla con Ella e posto um homem lindo a chorar na plateia.Chorei e ri, porque se choro em quase todos os espectáculos das Pina, também rio-o muito, quando vi Kontakthof, também na Gulbenkian, e chorei e ri nas quase mais de 10 peças que já vi dela.
Excerto Café Muller
Apenas não chorei numa peça de Pina Bausch, porque a detestei e sai da sala irritado, furibundo, e profundamente zangado, como quando alguém em que acreditamos e quase idolatramos, nos desilude profundamente. Saí da sala irritado, desiludido e sem aplaudir, enquanto uma patética chuva de hipotéticas pétalas de flor de cerejeira caiam sobre o palco e o público e as dondocas e os tios bem e as tias bem, aplaudiam histéricos.
A peça de que falo e que era a última que tinha visto até ontem, com o nome de qualquer coisa como Céu e Terra, foi desenvolvida depois de uma residência no Japão, e é um tal empastado de colagens mal feitas bauschianas sem sentido, e apenas arrumadinhas para parecer bonitinhas ao público, que tudo aquilo mesmo bem espremido é de tal forma mau, que se torna confrangedor, sobretudo vindo de uma criadora que sabémos ter feito coisas arrebatadora tais como 1980 – Ein Stuck von Pina Baush, Walzer ou Viktor, para citar apenas algumas dos trabalhos da Pina Bausch.
Na altura fiquei zangado com Pina Bausch e decidi não ver mais nenhum espectáculo recente dela. Na mesma altura em que vi o horrendo Céu e Terra, tinha igualmente revisto pela segunda vez o maravilhoso Nelken em Lisboa no São Luiz e um pouco antes, a encenação pela Pina Bausch da lindíssima ópera dançada Orphée et Eurydice a partir da ópera de Gluck, no Palais Garnier de Paris, com interpretações do corpo de bailado da Ópera Garnier, orquestra, coro e cantores (é uma das poucas peças que Pina Baush não usa a sua companhia de Teatro de Wuppertal) e, fiquei siderado como é que uma peça de 1975, quase 30 anos depois, consegue ter aquela actualidade de forma tão visceral.
Na encenação de Orphée et Eurydice Pina Bausch, concilia os corpos dos cantores com os dos bailarinos, colocando-os lado a lado em palco. Duas Eurydice, dois Orpheus, uma voz que é um corpo e um corpo que é apenas um corpo. Opta pela versão original alemã da ópera de Gluck (existem três versões, a alemã, a italiana e a francesa), em que nada acaba bem e Orfeo, não consegue não deixar de olhar para Eurydice e com isso a condena a viver para sempre no mundo dos mortos.
Na versão Italiana e versão Francesa, Eurydice não morre, e os deuses dão uma segunda oportunidade a Orfeo perdoando-lhe a sua traição, porque Maria Antonieta assim o exigiu a Gluck, porque o público de Paris, exigia óperas com um final feliz.Tal qual como hoje, nas telenovelas.
O Orphée et Eurydice de Pina Bausch é sobre o amor, o luto e a violência, sentimentos que sentimos quando perdemos alguém que amamos, o luto que nos recusamos fazer por essa pessoa, e a violência que temos para connosco e com os outros na recusa da aceitação da morte do outro, que nada mais é que a recusa da não aceitação da ideia da nossa própria morte.
Na verdade, nas nossas vidas, a incapacidade que temos em aceitar e lidar com a perda, com a morte, não advém do amor que temos pelo outro, mas reside nas nossas egoístas necessidades individuais. É isso que Pinna Baush nos atira à cara em forma de poesia, quando nos mostra o falhanço de Orfeo em trazer Eurydice do mundo dos mortos.
Eurydice morreu e os deuses comovidos com a dor de Orfeo dão-lhe a possibilidade de ele a ir buscar ao mundo dos mortos, com a condição, de durante todo o percurso, Orfeo não olhar Eurydice na cara. Orfeo terá que encontrar Eurydice, confiar que ela é a Eurydice que ele conhece, dar-lhe a mão, trazendo-a até cá acima, ao mundo dos vivos. E Orfeo falha! Orfeo não confia em Eurydice, e a meio do percurso, sem resistir, olha-a nos olhos, para confirmar se aquela Eurydice que traz pela mão, é ainda a mesma Eurydice que ele teve no coração e ainda tem na sua memória. Com esta falta de confiança, com esta incapacidade de confiar, Orfeo mata Eurydice, exactamente da mesma forma, como nós matamos as nossas relações quando não confiamos nos que amamos e, Eurydice morre pela segunda vez, exactamente pela mesma razão, como morrem no nosso coração as pessoas que amamos, quando um dia, ao longo do percurso da vida que percorremos, deixamos nelas de confiar.
Pina Baush é quase sempre assim, a coreografa, capaz de fazer uma antropologia dos nossos sentimentos, dos nossos afectos, estripa-los e coloca-los em palco sob a forma de dança.
Ontem com Masurca Fogo no CCB, peça que Pina Bausch desenvolveu a partir de uma residência que vez em Lisboa em 1996, também foi assim, mas esta Masurca Fogo de Pina Baush, mais a Lisboa, o Portugal e os portugueses e os homens e as mulheres de Portugal e de todo o lado, que é sempre sobre o que Pina Bausch fala, fica para outro post, que hoje é sábado, estou em Lisboa e tenho que ir ver se o jacarandás já começaram a florir.
Extracto de Nelken
Final de Pina Bausch Kontakthof mit Damen und Herren ab 65 Part
Assisti ontem na Culturgest à peça de Raimund Hoghe, Swan Lake, 4 Acts, trabalho que o coreógrafo, que já foi argumentista da Pina Baush, desenvolveu a partir da famosa música para bailado de Tchaikovsky.
Partindo das memórias colectivas, que a cultura ocidental guardou do mais famoso bailado da história, Raimund Hoghe "descasca" todas as imagens a esta peça associadas, e mostra-nos o essencial, quase só a partir do contraponto entre o seu corpo disforme de acordo com os padrões comuns que temos da beleza (Raimund Hoghe pouco mais tem que um metro e cinquenta e é corcunda), com os corpos atléticos de quatro bailarinos.
Raimund Hoghe encarna o príncipe e simultaneamente o cisne branco e o cisne preto, encarna a paixão que nos pode consumir, encarna os nossos medos da morte, mas também os sonhos que nos ajudam a ela fugir.
Recentemente tem havido verdadeiramente muito poucos espectáculos, capazes de me emocionarem, sem que no momento o perçeba, até às lágrimas. Ontem, perante a beleza avassaladora do trabalho de Hoghe, debulhei-me em choro, daqueles capazes de nos lavarem a alma.
Este Lago dos Cisnes, consegue ser um manifesto politíco, consegue ser uma expressão artística do que se chama teatro dança e consegue ser uma expressão filosófica da estética.
Político, porque entre muitas coisas, Hoghe, mostra-nos com extrema delicadeza, o esteriótipo em que estamos a tornar os nossos corpos, na procura de um determinado ideal de beleza. Político também ainda, quase manifesto, quando Hoghe, nos confronta com um príncipe que é ele, abraçado a um cisne branco que é um bailarino.
Expressão plástica, porque através de uma economia extrema de meios, o bailado resume-se quase só a um palco negro imenso e aos corpos dos bailarinos nele perdidos, consegue levar-nos a imaginar, sem qualquer esforço, as mais sublimes imagens. os bailarinos esboçam movimentos, que nós somos levados a completar com o nosso imaginário. Um movimento de braços leva-nos até um cisne que desliza sobre as águas. Flasbacks de virtuosos movimentos, despertam em nós imagens do ballet clássico. Os corpos dos bailarinos que mergulham no chão negro do palco, evocam-nos a morte do prícipe e do cisne branco nas águas do lago, mas também nos fazem sentir catárticamente, os nossos sentimentos de perda.
Expressão filosófica estética, porque conseguimos perçeber e sentir o essencial.
"... A inocência com que Hoghe sonha com a beleza, onde ele consegue camuflar na paisagem escondida o bando de cisnes, torna-se um símbolo dos nossos sonhos destruídos que cada um de nós carrega em si. E quando, com uma devoção infantil, chega o grande número de dança ele dispõe sobre o palco cisnes feitos de papel dobrado a fazer de bailarinos e se intromete de permeio como um cisne negro e corcunda, ou quando no final deita o seu corpo nu na tempestade de areia catártica para devolver com um sopro a vida a Lorenzo De Branbandere, o seu Alter Ego perfeito, vêm-nos as lágrimas aos olhos. ..."
Marianne Muhlemann, Der Bund, 18.06.2007 (Trad. Nuno Bon de Sousa)
Quando Hoghe no final se despe, colocando meticulosamente a sua roupa num saco de plástico, antes de mergulhar nú num palco coberto de areia, tal como o princípe do Lago dos Cisnes mergulha no lago gelado, confronta-nos com a nossa condição de mortais.
Perante esta Lago dos Cisnes, aperçebemo-nos que acabamos de assistir a um verdadeiro novo passo, na história da arte.
Obrigações de cidadania para não anoréticos cognitivos
"Fashion is a form of ugliness so intolerable that we have to alter it every six months" Oscar wilde
" I don't believe in people who think that clothes are not important" Miuccia Prada
"less is more" Mies van der Rohe
"I Would only ask you not to forget to play " Alvar Aalto
"... J'aime les fautes de goût: elles définissent le charme, elles rendent les choses plus intéressantes, elles trahissent la personnalité... " Véronique Nichanian
" A literatura de moda é uma má literatura, mas é mesmo assim uma escrita" Roland Barthes
Manifesto
viii) O PG é FV mas é totalmente contra todas as formas de promoção da anorexia cognitiva.
vii) Este blog só existe, porque faz quase o mesmo que o escitalopram e a maioria dos políticos portugueses é demasiado deprimente quando não é simplesmente ridícula.
vi) Um gay pode e deve mostrar a um hetero bonzão, que este pode ser um objecto de desejo, nem que seja para lhe mostrar inequivocamente que não é heterófobico. Salvo em situações, em que se saiba ou suspeite, haver ali homofobia. Por razões de humanidade e respeito pela privacidade, um gay não deve gratuitamente colocar á prova de forma cruel a bichice encapotada dos homofóbicos.
iv) As low cost são os novos autocarros urbanos.
v) Ser genuinamente gay e situar-se politicamente à direita é totalmente paradoxal.
iii) As gay parties são as novas reuniões de canasta.
ii) Um gay nunca é musculado demais. Mesmo que os outros gay por pura inveja digam que não.
i) Apesar de toda a vida nos tentarem fazer acreditar o contrário, ser gay até é bom, mesmo tendo que apanhar com as acções terroristas dos homófobicos, que mais não são que gays recalcados, ainda por cima invejosos.