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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Dia de São Valentim com um Kusmi Tea



No próximo dia 14, dia de São Valentim, comemora-se aqui na Europa o dia dos namorados, comercialmente como é óbvio! E o efeito mais estranho em toda esta situação, é que a maior parte dos aderentes não são namorados, mas cônjuges formais de papel passado e tudo.

Dia 14 de Fevereiro dá direito a restaurantes cheios, ementas especiais, em Lisboa engarrafamentos colossais no Chiado, Bairro Alto e outras zonas da cidade com alta concentração de restaurantes.

Nesse dia é frequente ainda, ver na rua casais para além da meia-idade, e não só, de mão dada.

Eu que nunca me coagi, ou vá lá, apenas me coagi em não mostrar afecto em público ao meu namorado em locais onde pressinto que a nossa integridade física possa ser colocada em perigo, e que gosto de passear-me nas ruas das cidades com contacto físico, e que já me tornei impermeável às bocas homofóbicas e olhares de espanto e incredulidade, tenho uma alergia suprema ao dia dos namorados. Provavelmente é por mau feitio e zanga, pelo facto dos gajos e gajas que até nem são namorados, porque são casados, porque a lei este estado civil lhes permite, me terem usurpado, nem que seja por um dia, o único estado civil a que tenho direito.

Por esta razão nunca comemorei o dia dos namorados. Mas acho injusto. E acho injusto por mim, pelas razões que atrás referi e também por solidariedade com toda a enorme quantidade de pessoas que simplesmente não podem comemorar o dia dos namorados, pela simples razão de não terem namorado.

É hora de mudar-mos e por isto este ano, sugiro que tenha ou não namorado, comemore condignamente o dia, através do consumo como é óbvio, porque foi para isso que o dia foi criado.

Como?

Esqueça o jantar românticos a dois com ementa especial dia dos namorados, mais o ambiente e o serviço deprimente de todos os restaurantes nesse dia.

Esqueça as ostras e a bebedeira de champagne, que mesmo não sendo Cristal, a vida e a crise não estão para isto, já para não falar da ressaca garantida no dia seguinte.

Esqueça os Pierre Marcolini, semi-derretidos na boca a passarem de língua para língua, ou da língua para outro órgão qualquer, porque infelizmente a Pierre Marcolini não tem vendas on-line.


Esqueça as rosas vermelhas, brancas ou cor-de-rosa até.

Esqueça que afinal até nem tem namorado e caso contrário esqueça até que tem namorado e festeje o dia de S. Valentim, só ou acompanhado, com um Kusmi Tea Swit Love.

A lata é deliciosa e a mistela de chá preto e especiarias para além de deliciosa, promete estimular-lhe os sentidos.

Depois, os chás Kusmi Tea têm ainda, toda aquela aura dos produtos que conseguiram atravessar os tempos, as crises, as guerras. A Kusmi Tea foi fundada em 1876 em St-Pétersbourg, de onde teve que pirar-se devido à revolução Russa, instalando-se em Paris, onde tem estado desde 1917.

E pronto, uma lata até é barata e o aroma é delicioso. A mistura é de chá preto, raízes de alcaçuz e de ginseng, sementes de guaraná e pimenta rosa (aroeira-salsa). Em suma, uma verdadeira bomba natural, capaz de detonar os sentidos mais atrofiados e talvez, ressuscitar os sentidos, seja apenas a única coisa que valha a pena fazer, no dia dos namorados.

Para além da loja de Paris a Kusmi Tea tem um serviço de vendas on-line, infelizmente a Pierre Marcolini não ;(((( e uma boa distribuição em revendedores. Em Lisboa pode encontrar Kusmi Tea na Charcutaria Moy, ali no Rua D. Pedro V, 111, ao Principe Real.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mariage Frères



Uma ida a uma loja Mariage Frères é uma experiência única e mágica.

Actualmente, a marca responsável pelo conceito de “chá francês”, para além dos mais de 1000 revendedores espalhados pelo mundo, já tem quatro lojas em Paris, mas a minha preferida continua a ser a do nº 30 da Rue du Bourg-Tibourg em pleno Marais.

Assim que entramos na loja, deparamos com as prateleiras em que se alinham algumas centenas de latas pretas e depois, começa a aventura.



Podemos começar por pedir ao empregado que nos atender, um chá verde suave com bergamota. O empregado dirigir-se á estante e trará com ele duas ou três latas, que abrirá uma a uma e nos dará a cheirar, como se de um ritual se tratasse. Se algum dos cheiros nos agradar especialmente e corresponder àquilo que tínhamos em mente, dizemos qual a quantidade que pretendemos, para que meticulosamente as gramas que queremos levar para casa, sejam retiradas da lata e colocadas num saco preto com uma etiqueta em branco, na qual posteriormente será manuscrito, o nome do chá e a data de compra.

Caso queiramos levar para casa um chá preto baunilhado, provavelmente imediatamente o empregado nos apresentará a lata doBourbon, mas se quisermos um earl grey e bergamota, talvez entre as várias latas que ele nos vai trazer a cheirar, apareça o Impressionistes. Se pedirmos um chá verde frutado com especiarias uma grande escolha será o Thé Sur le Nil, mas se quisermos um Darjeeling verde e de folhas inteiras, com toda a certeza vai sugerir-nos um dos melhores Darjeeling que a nível mundial foi produzido na última colheita.


(foto via http://mfreres.com/ )

O conceito de chá francês é este mesmo, um chá perfumado, em que a mistura foi orquestrada, tendo em conta o perfume, o sabor e as cores das várias outras plantas e flores que ao chá são misturadas.

Para além da alta qualidade da matéria-prima que é o chá, sempre proveniente dos melhores produtores mundiais, da deliciosa mistura de aromas e sabores, outra característica igualmente deliciosa dos chás Mariage Frères é o nome atribuído a cada um deles, dos quais talvez o Marco Polo seja o mais famoso.

O primeiro Marco Pólo criado pela Mariage Frères foi um chá preto frutado levemente aromatizado com especiarias. O Cafe Beaubourg, começou a inclui-lo na lista e o sucesso foi tal, que para além do Marco Pólo passar a ser o chá mais famoso de Paris, a Mariage Frères, foi adoptada pelos parisienses como la Maison de Thé à Paris. Actualmente há Marco Pólo verde e Marco Pólo de diferentes origens geográficas, de acordo com o local do mundo onde se encontra a plantação de chá.

Explorado o conceito do chá perfumado e os diferentes tipos de chá (preto, verde, branco, vermelho), a Mariage Frères, tem vindo acertadamente apostar na diversificação baseada na origem do produto. A origem geográfica do produto, característica que tradicionalmente apenas servia para diferenciar alimentos como o vinho ou o queijo, gradualmente entrou no mundo dos cafés e é actualmente uma tendência fortemente diferenciadora de produtos como o chá e o chocolate.

Bom para finalizar este post, falta referir que os Lisboetas algumas vezes na vida até têm uma sorte do caraças, é que na Charcutaria Moy, ali no Rua D. Pedro V, 111 (ao Principe Real) é possível comprar alguns chás da Mariage Frères a granel. Pois é, mesmo não tendo nem pouco mais ou menos a quantidade de latas da Mariage Frères do nº 30 da Rue du Bourg-Tibourg, ao ponto de nos proporcionar o ritual que descrevi no início do post, se for um amante dos chás perfumados da Mariage Frères, talvez lá consiga encontrar um dos seus chás preferidos. O que com toda a certeza acontecerá, é que o preço ao kg, será mais barato que o preço praticado pela Mariage Frères na Mariage Frères.

Para mim é perfeito, como na Charcutaria Moy há há venda a peso dos meus dois chás preferidos da Mariage Frères, não preciso de comprar latas atrás de latas, pelas quais teria que pagar um preço mais elevado, isto já para não falar do facto, de nem para comprar Mariage Frères, já ser necessário uma ida ao wedding cake que é Paris, bastando passar ali pelo Principe Real.

A Charcutaria Moy, fica no 111 da Rua D. Pedro V em Lisboa e até abre aos domingos e tudo.