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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ok, tá bem,

só para mostrar que o PGFV continua a gostar de exposições de moda! desde que bem feitas. E como é habitual, visitada não no último dia, mas no penúltimo e, se for em dia de horror fashion show, melhor ainda.







Poderia ainda verborrear acerca da opção espacial da curator ao colocar as peças ao nível e alcançe dos visitantes, aos fluxos de percurso que estes podem desenvolver em todas as direcções, aos sacos na cabeça dos manequins, à total abolição das barreiras, mas estou cansado e quero ir acabar o meu Nesbo, que se aproxima página a página do climax.

LOUIS VUITTON: THE ART OF FASHION_mostra curata da Katie Grand_22 Settembre - 09 Ottobre 11_Luogo: Triennale di Milano

domingo, 17 de julho de 2011

Entregues à Bicharada



O meu avô João, o homem que me ensinou a dar nomes aos pássaros e a identificar algumas constelações no céu, ferreiro de profissão, republicano e anticlerical até à medula, deve ter sido a pessoa a quem mais vezes ouvi a expressão “ estamos entregues à bicharada” . Normalmente estas palavras eram proferidas frente à TV, sempre que nela aparecia personagem que não gostasse. O cavacão, o bochechas, o anterior Papa ( e tenho a certeza que caso ainda fosse vivo o actual também com elas seria brindado) e até o Sampaio, foram personagens que dezenas de vezes ouvi o meu avô João expulsar lá de casa. Sim expulsar lá de casa, porque logo seguida à expressão “estamos entregues à bicharada” seguia-se a “apaguem imediatamente a televisão, em minha casa ainda só entra quem eu deixar e aqui não entram malandros”.

Mudando de assunto, sempre suspeitei que a betalhada tuga fosse na quase sua totalidade parola e muito out of fashion, aliás ser beto é por definição isso mesmo certo? Mas tanto assim?

Essa coisa do sem gravata, vem do casual friday, má e inconsequente prática americana de Gestão de Recursos Humanos dos idos anos 90, que os maus gestores de RH, que nada sabiam de gestão é sempre bom recordar, inventaram quando já não sabiam com que cenoura acenar aos yuppies anoréticos cognitivos, que a desregulamentação da bolsa permitiu que medrassem como cogumelos. Assim tipo Americam Psycho tão a ver?

Assim não vamos lá, essa do sem gravata está estafada de velha, agora o que tá a dar é sem peúgas, sem meias, sem soquetes. Se o sapato for de boa qualidade, os pés transpiram muito menos (a pele deixa sair o suor), baixa a temperatura corporal pelo menos 2 cº e evita o cheiro a chulé. Não se podem é usar sapatos Made in China (os tais que os mercados deixaram que proliferassem como fungos) e provavelmente Made in Portugal presumo que também não. A maior parte das empresas que ainda produzem sapatos tugas minimamente decentes fá-lo para exportação, as outras receberam os fundos para se modernizarem, e os empreendedores empresários compraram Ferraris, casitas no Allgarve e canalizaram o resto dos fundos para acções na bolsa.

Por aqui há muito que o PGFV recomenda a abolição da peúga. Ficam algumas sugestões:







Para finalizar, e recordando o meu avô João, estamos entregues à bicharada, bicharada de todo o tipo, até bicharada parola e out of fashion e se fosse limpar a pocilga dos porcos, não seria mais consequente?

E não, não me representam e isto já não é uma democracia!

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Editoriais de Moda

Pronto eu confesso, sou extremamente sensível a editoriais de moda com gajos bonzudos. Ponham-me um macho podre de bom a envergar roupa cujo único objectivo seja realçar-lhe os atributos físicos (volume proeminente por baixo das calças, nádegas bubble, colarinho da camisa a chamar a atenção para a maçã de Adão, casacos a evidenciarem as costas em V, camisas que mal acondicionam os peitorais) que esqueço imediatamente o editorial.









Com real men assim quem é que precisa de ler porras de Vogues?

Gostaram? Subscrevam as notícias da Dirk Bikkembergs e vão ver como as notícias que caem no inbox do correio electrónico passam a ter muito mais piada.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Peúgas

Nada há mais sexy que os tornozelos à vista de um gajo bonzudo, mas como ser sexy tem limites, nomeadamente o desconforto ridículo de uns tornozelos enregelados nos dias frios de inverno, peúgas (ah, quem diria!) são a solução.

Qualquer modelo Paul Smith será sempre uma boa opção. Use e abuse da cor e dos padrões e quanto mais dissonantes as meias forem do conjunto melhor.




































(Fotos via Paul Smith)

Caso lhe falte a coragem e a autoconfiança para riscas (um clássico), manchas de leopardo (as minhas preferidas) e até para as tímidas bolinhas (o máximo da elegância), não tem necessariamente que aquecer os pés o inverno inteiro numas cinzentonas meias pretas. Os ultra clássicos losangos Burlington, em lã ou caxemira (que duram meia década) e que se tornaram populares à escala global nos idos anos 80, podem ser uma excelente escolha, sobretudo se o resto da indumentária não for à beto, ou seja, mais uma vez as peúgas devem ser o elemento dissonante. Ideais para conjugar com sneakers brancos ou com brogues castanhos. Truque, não tenha a preocupação de ter as peúgas sempre esticadas, um certo desmazelo q.b. é sexy.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Lucas Ossendrijver para as massas













E em tempos de crise cá temos mais uma colecção para consolo das massas.

Desta vez a HM escolheu Lanvin e por isto mesmo é Lucas Ossendrijver quem assina a colecção dos gajos.

Confesso, não sou fã das colecções anuais com que a HM tem brindado os poor fashion victims. Colecções esporádicas e sem continuidade no tempo assinadas por criadores estrela, pouco mais têm sido que royalties manhosos da marca que o criador representa. Compare com a linha +J da Uniqlo que aqui trouxe há poucos dias e anote as diferenças.

Mas pronto, tempos de crise são tempos de crise e provavelmente é nestas alturas que purpurinas e lantejoulas mais falta fazem.

Tal como na Lanvin, na HM Lucas Ossendrijver parece continuar cheio de humor.















Disponível em lojas HM seleccionadas (não sei se em alguma em Portugal) a partir de 21 de Novembro.

Fotos via HM

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

+J



Agora que parece que vamos ter uma Muji em Lisboa, sugiro a todos os PGFV deste blog que façam um baixo assinado, um grupo no facelifting, seja o que for, para que tenhamos também uma Uniqlo com a linha +J.

Para quem não sabe, Uniqlo é uma cadeia de roupa nipónica barata, tipo HM ou Zara, mas as comparações ficam por aqui, já que se nos exemplos anteriormente citados a qualidade dos materiais, corte e confecção são bastante sofríveis (porque é que acham que as grandes cadeias de roupa têm lucros enormes?), na Uniqlo relação qualidade/preço até parece honesta. Se lhe juntarmos a mão e a visão de Jil Sander, temos a colecção +J, que é quase perfeita. Ah e não pense que a coisa é fogo-fátuo para entreter as massas numa única estação, não é a primeira nem a última colecção que Jil Sander assina para a Uniqlo e a coisa parece que está para continuar.

Para gajo são 100 peças maravilhosas totalmente desenhadas pela Senhora Sander, que parecem mais Jil Sander que as Jil Sander do Raf Simons, excepto no preço como é óbvio. Para quem não percebeu a piada, Jil Sander deixou de assinar as colecções com o seu nome quase logo após a venda da sua marca ao grupo Prada.







Nestes tempos de crise, em que a classe média tem cada vez menos poder de compra e as marcas reagem reposicionando-se no target dos muito ricos (se assim não fosse como se explica a subida brutal de preços) mais uma vez Jil Sander dá uma pedrada no charco.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Fall Winter 2010/11 – Trench Coat

Há peças de vestuário, sem que disso tenhamos noção, que se mantêm-se em uso, indiferentes a modas e quase inalteráveis na forma, há mais de um século. O trench coat é uma delas.

A peça deve o seu nome às suas origens militares (trench/trincheira), foi utilizada nas duas grandes guerras e ainda hoje a sua invenção é disputada pelas históricas casas inglesas Burberry e Aquascutum. Para mim pouco importa a quem cabe a invenção, desde que seja assertoado, tenha 10 botões frontais, presilhas nos ombros e nas mangas, dois bolsos à frente, grampos metálicos no colarinho e tenha um bom cinto que tanto possa usar-se apertado como amarrado atrás.


(Modelo Modern Fit da Burberry)

Para quem estiver a pensar em comprar um, sugiro ainda que tenha em consideração mais alguns pormenores que farão toda a diferença:

- O material deve ser suficientemente leve de forma a poder ser dobrado com facilidade e transportado quando despido. Um trench coat é uma peça para a chuva, não para temperaturas baixas. Para frios cortantes existem outras peças muito mais adequadas e confortáveis.

- O tecido deve ser 100% algodão e além de impermeável deve ser transpirável, caso contrário, arrisca-se a ficar encharcado, não em água, mas em suor. No momento a maior parte das técnicas de impermeabilização tem este facto em consideração, mas ainda existem marcas que não as usam, em detrimento de técnicas de impermeabilização mais baratas e por isso menos boas. A única forma de o saber é procurar na descrição técnica do produto, ou então questionar o vendedor ou a marca.

- As mangas reglan, além de mais confortáveis constroem uma silhueta menos rígida, para além de serem infinitamente mais adequadas a uma peça que se vai vestir por cima de outras.

- O cinto deve encontrar-se exactamente à altura da cintura.

- A altura não deverá ultrapassar os joelhos.

- Finalmente, em largura tanto deverá poder usa-lo por cima de um blazer como por cima de uma T. Shirt, o que quer dizer que nunca deverá comprar um saco de batatas, em que para além de si, também cabe lá dentro aquele casal de gajos bonzundos e grossos com quem troca olhares no balneário do gym.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Fall Winter 2010/11


Imagem via Dirk Bikkembergs on-line.

E prontes, com muita pena minha está oficialmente aberta a temporada Fall Winter 2010-2011 e, se tem que ser, que seja da melhor forma.

Se ainda tem uma vaga lembrança das botas à skin do final dos anos 80 início dos anos 90, das quais as Dr. Martens com biqueira de aço eram o topo do fashion, já conhece qual o modelo, que serviu de inspiração às botas imprescindíveis a qualquer Fashion Victim para este inverno.


Imagem via Dirk Bikkembergs on-line.

Não, não pense ir já a correr retirar as botas militares que tem guardadas no armário lá de casa e que só usa em festas leather. Se a inspiração é esta, a concretização da coisa resulta ligeiramente diferente. Esqueça por isto a biqueira de aço e os modelos dos excedentes do exército, que só se conseguem calçar com o mínimo conforto, com pensos higiénicos a servir de almofadas amortecedoras. A não ser que pretenda aderir a gangs destruidoras de montras da banca e outras organizações financeiras.


Imagem via Dirk Bikkembergs on-line.

Para além de rough, o modelo de ankle boots que vai querer usar no próximo inverno, também têm que ter ar de já usadas em muitas guerras. Pode usa-las sem atacadores, ou com eles meio partidos, para reforçar o ar de vencido por esta merda de sistema económico e prefira o castanho ao preto, que aguenta melhor a lama e a porcaria agarrada, que este ano é igualmente tendência. Duvída? Reveja o runway DG para este inverno. Prático, poético e metafórico. Lama agarrada aos sapatos é na próxima estação um acessório.

Para além de DG também D2 as apresentou tal como muitos outros, mas as mais bonitas, para além de mais baratas (ou melhor com preço mais decente) são as Dirk Bikkembergs. As Burberry Prorsum também são de fazer perder a cabeça a qualquer FV que se preze e por isso merecerão destaque individual.

Sem dúvida uma das peças da estação.