terça-feira, 22 de junho de 2010

Prada Spring Summer 2011



Para além do já lugar-comum que é dizer que o que Prada apresenta numa estação é ponto de partida para o que inúmeros criadores vão apresentar na estação seguinte, a coisa à força de tantas vezes repetida tornou-se profecia auto-realizável.

Para o próximo verão, não este que ainda só agora começa, mas o que ainda virá, Miuccia Prada mais uma vez conjugou conceptual com comercial e vulnerabilidade com masculinidade.

Se nas anteriores colecções a vulnerabilidade da roupa dos rapazinhos era toda ela derivada do vestuário feminino, desta vez Prada foi mais longe e apropriou-se das formas bidimensionais do fardamento profissional, que tanto podemos encontrar no vestuário dos operários que um dia o ocidente expulsou, como no fardamento dos profissionais de saúde que teimam em recordar-nos que somos vencíveis e finitos. Mas, para que não tivéssemos dúvidas, meteu os meninos a desfilar em cima de um pódio metálico hiper industrial, criação de Amo, think tank de Rem Koolhaas (arquitecto fetiche de Prada), ao som de um “each man kills the thing he loves” que a inesquecível Jeanne Moreau no igualmente inesquecível Querelle de Fassbinder, verdadeiro tratado acerca da vulnerabilidade humana ou dela negação, para sempre nos colou à memória.

Óculos protectores com correia de segurança, fatos com corte de alfaite reduzidos à bidimensionalidade, sapatos de plataforma amordeçedora, sacos amarrados à cintura e ao pulso que pouco mais são, para além de serem Prada claro, sacos, formas estruturadas e rigídas totalmente fundidas com formas fluídas, resultando numa outra forma qualquer. No final, pulôveres que nos evocam os anos sessenta, época de todas as revoluções e de todos os sonhos. Each man kills the thing he loves.



Fotos Don Ashby via www.menstyle.it

Uma visão menos zoom da coleccção aqui.

E o desfile aqui.

2 comentários:

Luis Royal disse...

há muito que não víamos uma prada boa.

Pitanga disse...

Very chic! We all love a Prada boy!