sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Laranjas como arma de engate, datas de aniversário e flutes de champagne.

Este blog já fez ou está para fazer dois anos. Fui sempre péssimo para memorizar dias de aniversário. Esqueço todos invariavelmente e não há ferramenta que me ajude. O filofax falhou e em seguida igualmente falharam todas as configurações de alertas do Outlook. Sempre que o desgraçado do aniversariante aniversaria num sábado ou num domingo (só uso espartanamente o Outlook durante cinco dias da semana e quatro vezes ao dia) lá me esqueço eu de o parabenizar. O facebook igualmente não conseguiu ajudar-me a ultrapassar esta minha grande limitação de memória para reter datas.

Há um livro que gosto e me diverte especialmente, tem o título “Se numa noite de Inverno um Viajante” e é do Italo Calvino e anda à volta de um escritor que escreve um livro e de um leitor que lê o livro e do que cada um pensa acerca do outro e do que cada um pensa acerca do que o que outro pensa que o outro está a ler/escrever.

Há um poeta que gosto especialmente, que gosto muito mesmo e as suas palavras escritas marcaram-me na pós adolescência, como só nessa idade podemos ser marcados pelas palavras. Um dia encontrei-o no Frágil e apeteceu-me dizer-lhe como gostava do seu trabalho. Comecei a brincar com as palavras de um poema dele e que tinha um dia emoldurado na memória. Ele agradeceu-me com uma pergunta: “queres ir agora para minha casa?”

Perante a proposta assertiva de engate, apenas consegui responder qualquer coisa como isto: “laranjas agora só se for no vodka porque não tenho nenhuma escondida nos bolsos. Não conheço a pessoa que está por detrás do poeta, mas sei que não quero foder nem com ela nem com o poeta, desculpa lá a intromissão” e fugi amaldiçoando-me por infantilmente me ter aproximado do homem que para mim, sem ele ter qualquer parte de culpa, era apenas “o poeta”.

Algumas semanas depois, encontrei numa revista um texto do poeta salpicado de laranjas e que contava como o homem poeta tinha conhecido na noite um homem que tinha uma cabeça de vidro e que lhe tinha acenado com uma laranja.

Mais tarde tive o privilégio de conhecer de forma mais enquadrada, o homem que era também poeta. Ambos nos reconhecemos mas tacitamente nunca falamos do episódio do Frágil.

Numa noite de fim de ano passada em casa de uma amiga comum, o homem que também era poeta e que também era muito brincalhão e que tinha um sentido de humor quase tão bom quanto os seus poemas, resolveu ler a sina a toda a gente. Quando chegou a minha vez, leu-me a palma da mão e viu muitos muitos homens, que eu iria engatar ao longo da vida com laranjas envenenadas que sacaria dos bolsos, quais berlindes olhos de pantera, prontos para atacar. Depois mais tarde, quando o homem poeta morreu, dei por mim a chorar o homem e não o poeta.

Comecei por referir que algures por esta altura há dois anos atrás, iniciei este blog. Tinha acabado de apanhar o maior estaladão da minha vida e como só me apetecia chorar, resolvi que tinha que começar a reaprender a brincar.

Obrigado a todos os leitores que ao longo deste dois anos, têm aturado as minhas brincadeiras e verborreias e venha o Veuve Clicquot, servido nas flutes Essence do Häberli.

3 comentários:

Como as Marés disse...

Sem dúvidas muito bom.

Parabéns pelos dois ou quase dois anos de blog! e vamos comemorar hehehehe

Abração!

Anónimo disse...

O poeta é o Al Berto?

Mario Frade disse...

Gosto muito de acompanhar o teu blog e considero as tuas escolhas de muito bom gosto. Aliás, vou aproveitar algumas das sugestões para uma campanha na internet.

Abraço,
Mário