segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Verso/Frente #11


Intervenção, de autor que desconheço, associada à promoção da Experimentadesign 2011 - Useless.


Intervenção de Bansky no muro da vergonha do lado Palestino.

Este Verso/Frente poderia ter outro título, muitos outros títulos, mas como ainda nada vi da edição desta experimentadesign, vou dar o benefício da dúvida e partir do princípio, que o mais de um milhão de euros de orçamento vai servir para colocar a questão do "useless" mais além dos lugares comuns disponíveis no site da Experimentadesign e nas palavras que a sua Directora já tornou públicas. Que assim seja, e, que esta experimentadesign de orçamento "reduzido" e em tempos de crise, consiga bastante mais do que aquilo que conseguiu com os dois milhões seiscentos euros, saidos dos bolsos dos contribuintes será sempre bom recordar, da anterior edição.

Nota posterior: No Facelifting onde este post vai parar, recebi um comentário a elogiar a intervenção da experimentadesign numa das paredes da Estação de Santa Apolónia, acrescento agora aqui o que por lá escrevi e um outro comentário que subscrevo inteiramente:

"Eu só gosto da original, ou seja a do Bansky (num dos muros que ilegalmente Israel tem erguido na Palestina) e acho mesmo uma falta de tudo, para não dizer plágio descarado, quando a experimentadesign copia a obra de um artista e a utiliza sem ter minimamente em consideração quer o artista quer o carácter da sua obra"

"Essa imagem onde está não tem nada de especial. Não lhe encontro nenhum simbolismo ou mensagem de relevo. Agora no muro na Palestina... . A Arte é isso mesmo!"

Nota posterior à nota anterior: Após várias mensagens trocadas no facelifting, fui informado que a imagem da intervenção de arte urbana na parede da Estação de Santa Apolónia é anterior a esta edição da experimentadesign. Como dela apenas tomei conhecimento através disto, em nada retiro as palavras que atrás escrevi.

E ainda: Depois de puxar pela memória, recordei finalmente onde vi a imagem da intervenção em Santa Apolónia pela primeira vez. ora aqui está ela, no site da experimenta, na área Press/Centre/Centro de Imprensa/Imagens e sem qualquer menção. É grave? pois não sei, para mim é uma grande falta de rigor.

4 comentários:

Luis Royal disse...

xiii!... isso vem aí vontade de desfazer a bienal! ;)
força, que do que precisamos é de vozes contrárias para fomentar a discussão, visto que por aqui não é hábito discutir nada. aliás, a bienal passa e não passa por tantos quantos seriam esperados, mas isso tem que ver com a letargia dos públicos e acontece com quase tudo por cá.
em relação à bienal ter feito pouco na edição anterior: é verdade que nem todas as edições foram igualmente boas, mas nenhuma foi tão pouco boa que as tornasse pouco dignas de continuarem. e esta é a prova de que vale a pena.
chamo a atenção para que a bienal também é feita de um ciclo de conferências, debates e cinema, alguns dos quais já aconteceram, pelo que, em relação a esses só resta exigir a sua edição e disponibilização em vídeo, o que seria bem exigido, diga-se.
mas aguardamos pela sua opinião, que temos tanto em conta.
obrigado.

Luis Royal disse...

em relação ao graffiti de sta. apolónia: conheço-o, creio, há mais de 1 ano e parece-me que pretende apenas ser uma chamada de atenção a uma possível entrada para a estação, sem outra pretensão à la Bansky.
mas acho que não vale a pena ficar tão indignado quando a bienal usa uma imagem capturada numa rua de Lisboa só por ser uma possível apropriação de uma imagem de um suposto artista que ninguém sabe quem é, é muito irreverente mas vai tirando daí os seus benefícios e dividendos. acho que este perfil só pode ficar contente por que a sua ora seja apropriada. ou, pelo menos, não tem como se queixar. ;)
acredito mesmo que a experimenta não soubesse da existência dessa imagem do bansky.

poor guy fashion victim disse...

Olá Luís,

Nada contra esta nova Bienal em folha que aí está, a não ser os anticorpos, assumo! na verdade preconceitos, provocado pelas duas últimas edições. Da última saliento pela positiva (muito positiva mesmo) e com muitos pontos ou estrelas a pré do Peter Zumthor e do Marco Sousa Dias, injustamente remetida para uma sala mal sinalizada. O resto penso que vi quase tudo e do confrangedor ao simplesmente mal feito, ou ao superficial, encontrei de tudo. Tudo somado, muito pouco para o 2.600 milhões investidos, num país sem cultura de design ou quase inexistente, com uma indústria anémica e que mal sabe o que é desigm (honrrosa excepções existem como em tudo).

Quanto a esta edição, como sabes ainda nada vi e por enquanto não irei escrever para já nada (é o mínimo).Promento ir de olhos limpos e coração aberto. Tive uma primeira má experiência para com a intervenção no Museu Viera da Silva e na Mãe de àgua: bati com o nariz na porta, mas até este episódio irei ultrapassar

Para com as tangenciais e admitindo ou melhor assumindo enviesamentos provocados pelos meus afectos, tenho muita curiosidade, quer pela temática de uma, quer pelo facto da outra incidir sobre os meus objectos de desejo obssessivos e quase doentios: os livros, mas para estas, as tangenciais, e não gostando de tratamento VIP, vou pedinchar o previlégio que jà sabes qual é;) se tal for possÍvel, e ter a guiar-me a ensinar-me um expert que muito considero;)Mas lá está são as tangenciais.

Prometido está, que irei procurar fazer um diário pessoal, com a visão assumida de quem não sendo designer mas que apenas tem a paixão pelos objectos e tira expecial prazer em tentat perceber os meandros dos processos criativos, a suposta utilidade/não utilidade necessária e essencial em qualquer qualquer processo criativo e claro está a vertente social que o design pode ter na democratização (sonho ainda não totalmdente cumprido)mas que moveu centenas e gerações de designers (vivos e mortos)que constam na minha galeria de imortais.

A imagem da parede da estação de Sta Apolónia (cujo autor é anónimo pelo que deduzi depois, tão anónimo como Bansky (que existe mesmo, mas que apenas recusa ser conhecido e elevado a estrela em firmamento, nada diferente de um margiela ou se bem pensares de um@ Norma Jeane (http://poorguyfashionvictim.blogspot.com/2011/07/la-biennale-di-venezia-9.html) e que mais não são que mais ruturas em todo um actual sistema/paradigma em autodestruição de si mesmo.

Na viagem à santa terrinha acbei de ler entrevista a Maurizio Cattelan, que afirma que após a retrospectiva no Guggenheim, se retirá do actual sistema de "arte" porque segundo ele, o processo das galerias e dos galerista é no momento o da banca e nisso ele não quer participar e nada mais tem a dizer.

Quanto às conferências, tens toda a razão, mas porque raio e como bem referes, não ficam disponibilizados algures já que a sua realização apenas os direcciona a quem por razões profissionais, as poderá integrar nas suas actividades laborais?

mas sinceramente, por aqui mente limpa e coração aberto, consciente das minha resistências e que só essa consciência me permitirá ultrapassar os meus preconceitos. Mas pronto, custa-me a engolir que quem escolheu a imagem da estação de Santa Aplónia não conhecesse a intervenção do Bansky. são uma sêrie delas (10 se não me falha a memória) e correram o mundo, desde o NYT ao The Guardian, aos blogs.

Beijos abraços e saudades.

Basilio Vieira disse...

A imagem de Santa Apolónia está relacionada com www.st-apolonia.org.

O autor é anónimo.